A viagem ao Salar de Uyuni – o mar de sal – post 1

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Um dos cenários mais incríveis do mundo, recheados de paisagens marcantes. O Salar de Uyuni, na Bolívia, é daqueles destinos que te faz ficar boquiaberto e te tira a respiração.

Não sei se felizmente ou infelizmente, mas o acesso não é dos mais fáceis! Para a nossa sorte, quem vai contar tudo sobre a viagem ao Salar de Uyuni é a leitora Natália Rezende, que foi para o Atacama e, de lá, cruzou a fronteira para encarar a sensacional imersão pelo magnífico Deserto de Sal da Bolívia.

A imensidão de sal do Salar de Uyuni. (Foto: Natália Rezende.)

A imensidão de sal do Salar de Uyuni. (Foto: Natália Rezende.)


O básico sobre a viagem ao Salar de Uyuni

Se você vai pro Atacama, considere incluir no seu roteiro o passeio pro Salar de Uyuni. É sensacional! Se estiver indo pra Bolívia então, nem se fala…

O Salar de Uyuni é a maior planície de sal do mundo, com mais de 10 mil km². Fica no sudoeste da Bolívia, perto da borda da Cordilheira dos Andes e está a uma altitude de mais de 3 mil metros acima do nível médio do mar. Falarei em outro post sobre os efeitos da altitude.

No meu caso, fiz o passeio ida e volta pro salar saindo de San Pedro do Atacama. Você também pode ficar em Uyuni e seguir viagem de lá. Há opção do passeio saindo de outras cidades, como a própria Uyuni (e indo pra San Pedro), Tupiza, Arica (Chile).  

O passeio, saindo do Atacama, dura 3 dias e 2 noites, no caso de ficar em Uyuni. E 4 dias e 3 noites voltando para San Pedro. Já adianto que só é possível fazer um passeio de 3 dias e 2 noites retornando para San Pedro de forma privativa, que é caríssimo. E confesso que gostei bastante da convivência meio big brother com os colegas de off-road.

O passeio coletivo é para até 6 pessoas, que dormem e acordam com você, e dividem a 4×4. Fica apertado dentro do veículo, mas é muito legal a troca de experiência e cultura. Fomos eu e meu namorado, torcendo para que ficássemos só nós, mas compartilhamos o passeio com duas americanas, um inglês e um palestino. E foi massa demais! Que bom que tivemos companheiros tão divertidos de viagem.

Além do salar, o passeio inclui visita a várias lagoas bolivianas, desertos, cânions e vales, o povoado boliviano de Julaca, a ilha dos pescadores, cemitério de trens, dentre outros, os quais serão descritos melhor no próximo post.

Melhor época para ir

Acredito que o único período arriscado para visitar o salar é durante as chuvas intensas, que ocorrem no verão (de dezembro a março), pois, a depender do nível de água, as agências não realizam o passeio por impossibilidade de transitarem no salar alagado.

Mas, como tudo nessa vida, quanto maior o risco, maior o ganho! Caso seja possível realizar o passeio, você verá uma paisagem incrível. O salar com água vira um espelho de sal, refletindo tudo ao redor.  A planície e o céu se confundem no horizonte! Coisa linda de se ver (fico babando nas fotos de quem conseguiu essa proeza)!

Só para se ter uma ideia da beleza…

Carro cruzando o Salar de Uyuni alagado. (Foto: quatrocantosdomundo.wordpress.com.)

Carro cruzando o Salar de Uyuni alagado. (Foto: quatrocantosdomundo.wordpress.com.)

Bom, mas não foi o meu caso. Fui no finalzinho de abril, o Salar já estava bem seco. O que não prejudica, continua lindo mesmo assim. Achei uma boa época, pois tive a segurança de conseguir realizar o passeio e ainda não estava tão frio como no inverno. Porque lá é frio! Pre-pa-ra!

Amanhecer no Salar de Uyuni. (Foto: Natália Rezende.)

Amanhecer no Salar de Uyuni. (Foto: Natália Rezende.)

Então, a escolha da época acaba sendo bem pessoal mesmo. Nas meia estações tem a vantagem da maior segurança de realização do passeio e do clima mais ameno.

Expectativa x realidade

Como já comentado no post só não crie expectativas, é bom deixar as expectativas guardadas no armário de casa para não se decepcionar. Fui muito empolgada com a ideia de conhecer a Laguna Verde, era um sonho pra mim, mas acabei me decepcionando. Ela não estava tão verde, já que a coloração depende muito das condições climáticas. E o nível da água estava baixo. É bonita, mas não como esperava, não foi o ponto alto da viagem.

Expectativa

A Laguna Verde em época de cheio. (Foto: Pedro Szekely.)

A Laguna Verde em época de cheio. (Foto: Pedro Szekely.)

Realidade

A Laguna Verde sem água... só não crie expectativas... (Foto: Natália Rezende.)

A Laguna Verde sem água… só não crie expectativas… (Foto: Natália Rezende.)

O lado bom disso tudo é que me encantei com a Laguna Blanca, já que eu fui sem expectativa nenhuma. Gente, parece pintura, é lindo demais! Mas não ficarei falando muito pra vocês não criarem expectativas.

A imensidão do Salar é um convite à reflexão. (Foto: Natália Rezende.)

A imensidão do Salar é um convite à reflexão. (Foto: Natália Rezende.)

Empresa

Sei que muita gente não gosta de contratar empresas para passeios e prefere fazer por conta própria (eu sou uma delas), mas, nesse caso, acho imprescindível. Não vejo a menor possibilidade de conhecer o Salar sem agência de turismo.

Existem inúmeras empresas que realizam a rota, é bom pesquisar bastante para não cair em cilada. Antes de ir, li alguns relatos de experiências ruins, como a falta de cortesia do motorista, carro velho (que deu problema), tour contratado em inglês mas na hora só havia em espanhol, etc.

De uma forma geral, o passeio é bem padronizado, não varia tanto de empresa para empresa. Uma agência de turismo bem recomendada é a Cordillera Traveller, muitas pessoas me indicaram. Mas resolvi arriscar a Cruz Andina Traveller, que estava uns 20 dólares mais em conta (por pessoa). E não me arrependo, foi muito boa!

Fiz a pesquisa do Brasil e entrei em contato com várias empresas por aqui, mas todas pediam parte do pagamento antecipado para garantir a reserva. Então, deixei já pré-agendado por e-mail com a empresa que escolhi e, assim que cheguei em San Pedro do Atacama, efetivei a reserva mediante pagamento diretamente na loja. Fui com mais de uma possibilidade de data no meu roteiro, caso a que eu havia escolhido estive já esgotada. Pelo que vi, as pessoas costumam agendar o passeio só no local mesmo. Mas a pesquisa antecipada é importante, pra você não ficar perdido lá na hora com tanta opção.

Preço

A empresa que contratei cobrou 200 dólares pelo passeio de 4 dias e 3 noites (saindo e retornando a San Pedro), em abril de 2015. Acabei pagando em pesos chilenos, pois saía mais em conta devido à taxa de câmbio utilizada. Já li em alguns lugares que saindo da Bolívia o passeio sai mais em conta.  

Acho o preço bem honesto, considerando que tem 3 refeições por dia incluídas e 3 diárias.

Esse preço é para o passeio coletivo. Existe a opção de fazer tour privativo, mas prepare o bolso. A empresa mais barata que encontrei cobrava  por volta de 600 dólares por pessoa. Até de mil dólares eu vi cobrando.

Sal, sal e mais sal! Um espetáculo da natureza. (Foto: Natália Rezende.)

Sal, sal e mais sal! Um espetáculo da natureza. (Foto: Natália Rezende.)

Refeições

De um modo geral, as refeições foram gostosas, porém um pouco gordurosas. Quem tem muitas restrições alimentares, seja por saúde, seja por paladar, terá dificuldades, pois não tem escolha. A maioria das empresas oferecem cardápio alternativo para vegetarianos, caso avisado com antecedência.

O café da manhã tinha café, creme (pra colocar no café), suco, pão, manteiga, cream cheese, queijo e presunto. Às vezes, bolo e abacate. Os carboidratos do almoço e do jantar eram ótimos, o que pecava mesmo era a “proteína” (ou a falta dela), muitas vezes improvisada, como salsicha e atum enlatado.

Hospedagem

As hospedagens são estilo albergue, bem rústico. Água quente é luxo e é pago por fora (quando há), mas tive noites agradáveis, tirando o frio da primeira noite. No primeiro dia você fica em um quarto com 6 pessoas e, nos outros, em quarto duplo. Maiores detalhes poderão ser encontrados no próximo post sobre o Salar de Uyuni.

Hotel de sal do Salar de Uyuni - sim, tudo é feito de sal! (Foto: Kim Merritt.)

Hotel de sal do Salar de Uyuni – sim, tudo é feito de sal! (Foto: Kim Merritt.)

Relato do dia-a-dia

Bom, essas foram as informações gerais sobre o passeio no Salar. O relato dia-a-dia da experiência poderá ser encontrado em breve, além de dicas e de considerações importantes.

Clique aqui para ler como é o dia-a-dia da viagem ao Salar de Uyuni.

E aqui para ler dicas e considerações pra lá de úteis sobre a viagem ao Salar de Uyuni.


Natália é apaixonada por viagens e já conheceu alguns destinos inusitados. Já carimbou o passaporte na Polônia, no Japão, na Sérvia, na Bulgária e em mais 23 países. Sempre que volta de alguma viagem tem vontade de escrever e compartilhar suas dicas – estamos na torcida pra que ela divida mais dessas dicas preciosas com a gente!

O próximo destino é a Alemanha, de onde certamente vai retornar com uma experiência ainda maior!

E quanto a você, leitor viajante, não deixe de compartilhar suas dicas e histórias de viagens pelo mundo! Escreva para o Bilhete Premiado e deixe a sua marca!

One Response

  1. carolbsb
    carolbsb 05/09/2015 at 8:41 pm |

    Adorei o post, tenho muita vontade de conhecer o Salar de Uyuni! Ah, e claro que fiquei toda-toda com a menção ao post que escrevi pro blog! 😉

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