Desvendando as Ilhas Faroe

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Está pensando em viajar para as Ilhas Faroe ou é um curioso em busca de informações? Este post te dá uma excelente perspectiva sobre o lugar e, de quebra, dicas essenciais pra visitar o arquipélago!

Quem escreve hoje pro Bilhete Premiado é o experiente Antônio Lessa, que já carimbou o passaporte nos mais diferentes e inusitados lugares do planeta! Se liga nele!


Assim como o autor do blog, sou um viajante inveterado. Em uma conversa muito trivial de final de expediente com o Bernardo, fui por ele convidado a escrever alguma coisa para o Bilhete – então resolvi contar sobre minha experiência nas Ilhas Faroe.

As Ilhas Faroe

Geograficamente elas estão entre a Escócia, a Islândia e a Noruega, no Atlântico Norte, nas barbas do Ártico. São um arquipélago de 18 ilhas, a maior chama-se Streymoy e é onde fica a capital, Tórshavn. Em habitantes não chegam a 50.000, sendo que a capital tem 16.000. As ilhas centrais são interligadas por uma rede de túneis submarinos e pontes, enquanto as ilhas mais ao norte e mais ao sul são acessíveis apenas por barcos e helicópteros.


Mas, por que ir as Ilhas Faroe? O que motivaria alguém a deixar a incrível Reykjavik em direção a um arquipélago perdido no meio do gelado Atlântico Norte? Bem, depois de visitar, e algumas vezes morar, em lugares infestados de turistas, de gente tirando fotografias, de lojas com suvenires made in china, de ruas com sedutores cartazes da Apple querendo que se consuma o novo modelo do Iphone, me cansei de tudo isso. Não que não continue desejando, sempre que possível, passar uns dias em Paris ou em Nova Iorque –  sim, continuo – mas hoje me interessa mais aquilo que é autêntico, que não é pasteurizado, que não está excessivamente comercial, que não tenha tradução em todos os idiomas do planeta, que não seja de uva nem de maçã, que não esteja no guia Michelin.

Pelo inusitado do lugar, muitos dos meus amigos e até os amigos dos amigos nunca ouviram falar delas. São um arquipélago, outrora reino independente, hoje unido à Dinamarca. Mas eles não se sentem dinamarqueses, segundo 100% dos faroenses com quem conversei por lá. Falam feroês, que é uma língua que descende de uma das línguas dos Vikings (como boa parte da população) e nas cidades “maiores” dinamarquês também. A moeda é a coroa dinamarquesa mas os desejados euros e dólares são sempre muito bem vindos.

Uma das aldeias ao norte das Ilhas Faroe. (Foto: Antônio Lessa.)

Uma das aldeias ao norte das Ilhas Faroe. (Foto: Antônio Lessa.)

As ilhas são vulcânicas e possuem uma paisagem muito singular. São como enormes platôs ondulados, algumas vezes como planos inclinados, que parecem estavelmente flutuar sobre as geladas águas do oceano. As Ilhas possuem enormes costões de pedra, fjordes, como dizem eles, em seu litoral altamente recortado e segundo os panfletos que li, “nenhum lugar em Faroe está mais distante que 5 km do mar”.

Água doce brota por todos os cantos das ilhas. É impressionante o número de cascatas, cachoeiras, pequenas corredeiras, que cortam os campos repletos de gramíneas. Em Faroe pode-se ver o mar e um enorme espelho d’água acima dele que, como em uma ilusão de ótica, estão paralelos e separados por uma parede de pedra, sem se tocar.

Mas de todas as maravilhas da natureza de Faroe para mim nada foi mais bonito que Gasadalur, um mítico vilarejo com ares de conto de fadas, que se aninha entre o sopé de uma colina e um espetacular fjorde, com uma impressionante queda d’água que cai direto no mar de uma altura incrível.

O vilarejo de Gasadalur, no alto, o grande fjorde e a cachoeira que vai direto ao mar. (Foto: Antônio Lessa.)

O vilarejo de Gasadalur, no alto, o grande fjorde e a cachoeira que vai direto ao mar. (Foto: Antônio Lessa.)

São tantos os lugares que seria difícil – e cansativo para quem lê – mencionar. De medievais igrejas à beira mar, às pequeninas aldeias de pescadores, o país é encantador. O povo é um capitulo à parte. Com os homens descendendo diretamente dos nórdicos vikings e as mulheres dos escoceses, são ruivos, louros, altos e simpáticos. A comunicação nem sempre é fácil. Muitas das vezes não falam nada além de feroês ou dinamarquês, mas, no final são tão gentis e não se passa aperto algum.

A economia, assim como a culinária, está ligada ao mar e se come todos os tipos de peixes e bichos marinhos. Eles também têm uma enorme população de ovinos na ilha, o que também explica sua presença nos cardápios. Mas como estão unidos à Dinamarca se pode comer tudo que se oferece nos mercados de Kopenhagen, ou seja, tudo de tudo. Mas frutas e legumes não são locais e folhas frágeis, como alfaces e rúculas, não são muito comuns fora de Tórshavn. Contudo, encontrei uma simpática pizzaria que me salvava frequentemente.

Dicas Marotas

Quanto tempo e o que ver

Você precisa de pelo menos 4 dias para poder percorrer as principais ilhas, e suas principais atrações. São imperdíveis Gasadalur, Saksun e o Lago Leitisvatn.

Quando

Eu fui no verão, onde amanhece cedíssimo e anoitece depois das 11h da noite. As temperaturas ficavam entre 10-15 graus Célsius durante o dia e 07-12 à noite.

Como chegar

Voei a partir da Islândia, com a Atlantic Airways. O voo foi bom e custou aproximadamente U$ 300,00 com taxas. Tem que se ter atenção por que o aeroporto em Reykjavik onde opera a Atlantic não é o mesmo onde se chega da Europa ou dos Estados Unidos. Pode dar confusão.

O vilarejo de Saksun, na ilha principal do arquipélago de Faroe. (Foto: Antônio Lessa.)

O vilarejo de Saksun, na ilha principal do arquipélago de Faroe. (Foto: Antônio Lessa.)

Hospedagem

Fiquei em um Airbnb em Tórshavn, com um simpático faroes, Hilmar Simonsen, que pasmem, é casado com uma cearense. Foram 5 dias nas ilhas por aproximadamente U$ 200,00. O quarto tinha entrada independente e HiImar fala inglês perfeitamente – e sua mulher Junia, português.

Alimentação

Comi a comida local, mas também pizzas e sanduíches, além de levar muita coisa na minha mochila para as longas caminhadas. Uma pizza inteira grande custava aproximadamente U$ 10,00 na Pizza King. Um prato de peixe com acompanhamentos custou aproximadamente U$ 25,00.

Deslocamentos pela Ilha

Eu aluguei um carro e encontrei poucas opções de locação. Não se pode resolver isso na hora, no aeroporto. É realmente necessário que se tenha reserva, e de preferência com alguma antecedência. Pelos 5 dias paguei U$ 600,00. Mas aluguei um 4×4 para poder colocar o carro em trilhas menos pavimentadas.

O que não precisa levar

Bermudas, sandálias, e coisas de verão. Nunca faz calor o suficiente para que alguém que vive nos trópicos use. Mesmo que eles usem.

O que é indispensável levar

Um corta vento, óculos escuros, roupa impermeável e uma boa mochila de caminhada. Com água, comidinhas e alguma coisa para ler, e curtir a paisagem.


Paranaense, Antônio é fã da boa arte. Viajante contumaz, sai do trivial em busca do que está fora das páginas principais e das capas de revista. Pra ele, se for possível misturar viagem, lugar incomum e cultura, impossível melhorar!

Reserve aqui o seu hotel em Tórshavn.

Ou se preferir, faça como o autor do post e vá de AirBNB.

E quanto a você, leitor viajante, não deixe de compartilhar suas dicas e histórias de viagens pelo mundo! Escreva para o Bilhete Premiado e deixe a sua marca!

No norte do arquipélago Faroe, pequenas aldeias marcam a espetacular paisagem do local. (Foto: Antônio Lessa.)

No norte do arquipélago Faroe, pequenas aldeias marcam a espetacular paisagem do local. (Foto: Antônio Lessa.)

One Response

  1. Patricia
    Patricia 16/11/2016 at 2:50 pm |

    O António Lessa descreveu as Ilhas Faroe com tanta beleza,delicadeza e propriedade que com certeza vou visita-las.Vamos filho???

Comments are closed.

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