Estrada da Morte, a estrada mais perigosa do mundo

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Ai você está planejando a sua viagem a La Paz ou lendo sobre o destino e se depara com uma tal Estrada da Morte, a estrada mais perigosa do mundo! E, pior, é recomendada como um dos passeios turísticos mais visitados de La Paz!

É mais ou menos isso. Vou explicar tudo! A Carretera de la Muerte ganhou esse título em 2005 pelo Banco Internacional de Desenvolvimento. A razão? Tinha uma média de 209 acidentes e 96 mortes ao ano.

Construída no meio dos Andes e com uma altitude impressionante  – tem altura máxima em 4.650 m e vai até 1.200 m. Ela vai do Altiplano Boliviano até a zona da floresta tropical! Outro fato é que a estrada tem mão inglesa – isso foi feito pra facilitar o campo de visão dos motoristas nas curvas pra lá de fechadas e com um desfiladeiro ao lado. Chuva e neblina estão rotineiramente presentes! Não é de se estranhar o alto número de acidentes!

O trecho de asfalto nada tem a ver com a Estrada da Morte, mas é uma ambientação a 4.600 metros de altura no meio dos Andes.

O trecho de asfalto nada tem a ver com a Estrada da Morte, mas é uma ambientação a 4.600 metros de altura no meio dos Andes.

A estrada foi construída para ligar La Paz a Coroico. Felizmente, em 2006, a Bolívia construiu uma nova estrada, mais plana, com asfalto novo, menos curva e, logicamente, mais segura.  A partir daí, a má fama da Estrada da Morte acabou atraindo turistas aventureiros pra descer a rota de bicicleta! Atualmente, poucos carros passam por lá, mas quando passam, obedecem à mão inglesa.

Seja você um ciclista de plantão, seja um amador ou mesmo um inexperiente, apesar do nome, o passeio foi feito pra qualquer perfil! Monte na sua bicicleta e pode ir ladeira abaixo!

A Estrada da Morte, que liga La Paz a Coroico - monte na sua bicicleta e vá ladeira abaixo!

A Estrada da Morte, que liga La Paz a Coroico – monte na sua bicicleta e vá ladeira abaixo!

Como funciona o passeio pela Estrada da Morte

O passeio é simples! Uma van te busca no hotel logo pela manhã, perto das 7h ou 8h e leva o grupo até 4.600 metros de altitude. Lá no alto há um espaço para se equipar, se ambientar com a bicicleta e aprender as regras do passeio. Depois, todo o grupo desce junto, seguindo as instruções dos guias. As bicicletas são alteradas para não pegar muita velocidade e ninguém perder o controle!

A primeira parte do passeio é, na minha opinião, a mais cênica – no alto dos Andes! Também é a parte mais confortável, porque a bicicleta está no asfalto e não fica tremendo. Além disso, dá pra relaxar e curtir o visual, que é incrível!

A 4.600 metros de altitude, o grupo se prepara para descer a Estrada da Morte.

A 4.600 metros de altitude, o grupo se prepara para descer a Estrada da Morte.

A segunda parte é, enfim, na Estrada da Morte propriamente dita. A estrada está desgastada e não há mais asfalto, só brita! A bicicleta vai tremer bastante e pode ser desconfortável. Além disso, a estrada é cheia de curvas e vai te demandar razoável atenção pra não te deixar curtir o visual (essa é a parte triste do passeio!). Há várias pausas pelo caminho, seja para descanso, seja para esperar os menos habituados a pedalar. Não dá medo, mas cansa o braço e tira a atenção, que poderia estar ligada no visual!

Quem se cansar pode deixar a bicicleta e ir de ônibus sem nenhum problema! As paradas são rápidas, mas ajudam a recuperar um pouco da energia!

Ao final, na cidade de Coroico, os passeios organizam um almoço em algum local com direito a banho de rio – alguns locais oferecerem piscina, mas não são todos (verifique antes de contratar). Todos eles tem cerveja pra vender (ufa!)!

A Estrada da Morte e suas curvas que cortam os Andes bolivianos.

A Estrada da Morte e suas curvas que cortam os Andes bolivianos.

Perguntas básicas sobre a Estrada da Morte

Imagino que você tenha várias perguntas sobre o passeio. Tentarei responder algumas delas aqui. Se tiver mais, deixe nos comentários que eu farei o possível pra responder!

O passeio é seguro?

Sim, o passeio é seguro. Claro que existem riscos. Obedecer as regras é o sinal para evitar acidentes bestas.

Não me sinto confortável em pedalar. Posso ir na van?

Claro que pode! Há um preço mais barato para quem deseja apenas ir na van. Todas as empresas oferecem essa possibilidade. Se ficar cansado ou com medo durante o passeio, também pode sair da bicicleta e entrar na van.

Tudo o que vai, volta! Como é o retorno a La Paz?

Primeiro ponto! O retorno é de van, ainda bem! Duvido que um ciclista amador conseguiria subir tudo aqui no mesmo dia! Além do cansaço, demanda tempo! Ufa!

Segundo ponto! O retorno é por uma estrada segura e com asfalto muito bom (e novo). Lembram que eu falei que foi feito uma nova estrada ligando La Paz a Coroico? Pois é, a subida é por lá! Vai tranquilo!

A pose clássica da Estrada da Morte. (Foto: Mariane Boucault.)

A pose clássica da Estrada da Morte. (Foto: Mariane Boucault.)

Como contratar uma agência?

No centro histórico de La Paz existem diversas agências que realizam o passeio, principalmente nas proximidades da Calle Sagárnaga.

Qual agência contratar?

A agência mais famosa e tida como a mais segura é a Gravity. É também a mais cara, custa cerca de USD 110,00. Ela tem as melhores bicicletas e trocam a cada 3 anos. Oferecemágua e comida à vontade e, ao final do passeio, ainda param no La Senda Verde, um refúgio no meio da floresta com a possibilidade de tirar fotos com micos da região. Esse é o plus, mas o diferencial fica mesmo pelas bicicletas.

Entretanto, várias outras agências oferecem preços mais em conta. Dá pra achar até por USD 50,00 – ou seja, metade do preço! Claro, não vai ter água e lanche à disposição e as bicicletas não serão confortáveis (vai sem amortecimento na brita, prepare-se!). Além disso, o restaurante ao final e o ônibus serão menos bacanas. Se você não liga pra essas coisas e tá com grana curta, não precisa se preocupar em fechar com a Gravity.

O asfalto da primeira parte vem junto com um incrível cenário pra curtir com tranquilidade.

O asfalto da primeira parte vem junto com um incrível cenário pra curtir com tranquilidade.

Vale a pena investir em uma bicicleta mais cara / confortável?

Dica de quem fez o passeio – vale a pena, sim! Paguei a bicicleta com um amortecedor! Mas eu deveria ter aberto a carteira e pagar uma com amortecedor duplo. Não consegui pedalar sentado, porque o impacto da bicicleta na brita estava me machucando muito e sei que não fui o único a descer todo o trajeto a pé! Não é legal e cansa bastante, então invista em uma bicicleta confortável.

É necessário esforço físico?

Digamos que, em 90% do passeio, você nem precisa pedalar, porque é apenas descida! Basta se equilibrar na bicicleta! O esforço físico fica para alguns pequenos trechos da parte final, quando começam a aparecer algumas subidas, mas nada que pegue um despreparado!

Faz frio?

Faz sim – e faz calor também! No começo, a 4.600 metros de altitude, faz muito frio! Junto a isso, adicione vento e você estará congelando! A sorte é que as empresas oferecem calça e casaco corta vento. Quando começar a descer, o clima vira tropical e você vai começar a tirar a roupa até ficar de bermuda e camiseta. A temperatura começa em torno de 5°C e termina na casa dos 30 °C.

Parada para descanso na entrada do Parque Nacional Cotapata. (Foto: Mariane Boucault.)

Parada para descanso na entrada do Parque Nacional Cotapata. (Foto: Mariane Boucault.)

Preciso levar dinheiro?

Sim, precisa! Há uma taxa de 25 Bolivianos pra ter acesso ao Parque Nacional Cotapata, o parque que abriga a Estrada da Morte. As agências te lembram desse custo a mais. Além disso, é bom ter alguns trocados, seja pra comprar coisas de vendedores pelo caminho (sim, eles existem!), seja pra comprar uma cervejinha ao final do passeio! Não precisa levar muito, mas é bom levar um pouco!

Dá pra levar máquina fotográfica?

Claro, ainda mais se for uma GoPro, que dá pra acoplar ao capacete. Além disso, Se tiver o equipamento próprio, pode acoplar ao seu peitoral ou à bicicleta. Ao final do passeio, as agências costumam oferecer um CD com fotos, caso você não tenha uma boa máquina em mãos.

Preciso levar comida e água?

Na maior parte das agências há água e lanches incluídos, com algum intervalo entre eles. Como eu tenho muita fome e como em intervalos curtos, sempre ando com comida. Aliás, evite comer os lanches que as agências compram nos pueblos do caminho – prefira sempre comida industrializada e que tenha cara de comida segura!

O imperdível passeio da Estrada da Morte, a estrada mais perigosa do mundo!

Na real, foi uma das experiências mais incríveis que tive na vida! Se eu puder, ainda vou repetir esse passeio! É verdade que fiquei cansado ao final, e que a volta de van é muito chata, mas valeu a descida de bicicleta no meio do incrível cenário do Altiplano boliviano.

Para os mais preocupados, relaxe! O passeio é seguro sim. Pode ir – e se der medo, vá com medo mesmo! Na pior das hipóteses, você troca a bicicleta pela van e vai com calma admirando a paisagem!

Reserve aqui o seu hotel em La Paz.

Para ler mais sobre a Bolívia, clique aqui.

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Os Andres dão as boas vindas àqueles que vão encarar a Estrada da Morte, a estrada mais perigosa do mundo.

Os Andres dão as boas vindas àqueles que vão encarar a Estrada da Morte, a estrada mais perigosa do mundo.

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