Guia definitivo da Chapada dos Veadeiros!

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Seja habitué da Chapada dos Veadeiros ou seja turista de primeira viagem, tenho certeza que este post pode ser esclarecedor pra você que vai visitar a Chapada. Ele tem o propósito nada humilde de ser o Guia Definitivo para a sua viagem à Chapada dos Veadeiros e, com isso, contar tudo o que você precisa saber sobre a região mais bonita do cerrado do Brasil!

O post é completo e, até por isso, é longo! Ao que interessa!


Primeiramente, vamos a um mapa da região da Chapada dos Veadeiros. Você navega bem pelo GoogleMaps, certo?

Marquei no mapa as principais cidades da Chapada. São elas:

Alto Paraíso, São Jorge (que na verdade é um distrito de Alto Paraíso. Mas vamos considerá-la como uma cidade a parte), Cavalcante, São João da Aliança, Colinas do Sul e Teresina de Goiás (esta última não está marcada no mapa).

As principais bases são Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante. Serão as cidades que merecem a nossa atenção e terão grande destaque neste post. As demais não são muito procuradas, nem turisticamente, nem pra hospedagem, mas oferecem algumas atrações incríveis! De toda a forma, registrarei pontualmente no post.

A Cachoeira de São Bento e um dia de descanso no meio da natureza - A Chapada dos Veadeiros é assim. (Foto: Pedro Alves.)

A Cachoeira de São Bento e um dia de descanso no meio da natureza – A Chapada dos Veadeiros é assim. (Foto: Pedro Alves.)

Alto Paraíso de Goiás

A cidade mais central é Alto Paraíso de Goiás. É o município com a melhor infraestrutura turística. Tem caixas eletrônicos, agências bancárias e – muito importante na região – posto de gasolina. Aliás, aqui fica uma observação! Assim que chegar ou passar por Alto Paraíso, aproveite para completar o tanque! Até tem solução pra quem fica sem gasolina em São Jorge, mas custa caro e leva tempo pra resolver!

Alto Paraíso é também a mais famosa. Em 2012 ficou popular porque lá seria a cidade que sobreviveria ao suposto fim do mundo do calendário maya. Ali também passa o Paralelo 14 – curiosamente o mesmo paralelo que passa por Machu Picchu, o que gera mais lendas e misticismo sobre a cidade.

Reza a lenda que, no fim do mundo maya, um portal seria aberto em Alto Paraíso e levaria as pessoas direto a Machu Picchu! Ele é tão famoso que está marcado na estrada, com uma placa indicando a passagem sobre ele! E há até uma pousada chamada Paralelo 14!

A Chapada dos Veadeiros, no geral, é tomada por certo ar de misticismo, mas Alto Paraíso mais do que os outros destinos, que pegam mais leve nesse ponto. Espere encontrar pousadas e restaurantes que fazem uma miscelânea mística e misturam elementos hindus com mayas, incas, budistas, ETs, Rei Artur (!), Capadócia (!) e tudo o mais que a sua imaginação pode pensar!

A estrada já indica a paisagem da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Pedro Alves.)

A estrada já indica a paisagem da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Pedro Alves.)

O que fazer em Alto Paraíso!

Alto Paraíso, por ser central, facilita a ida para a maior parte das cachoeiras e dos passeios!

A cachoeira considerada uma das mais bonitas da Chapada, inclusive, está no meio do caminho entre Alto Paraíso e Cavalcante – é a Cachoeira Poço Encantado (35km de Cavalcante e 52km de Alto Paraíso). E você pode se hospedar por lá – eles tem chalés com café da manhã incluído!

Outros pontos famosos da Chapada dos Veadeiros são facilmente acessíveis via Alto Paraíso, como o – talvez – mais famoso de todos, o Vale da Lua (29km de Alto Paraíso e 9km de São Jorge).

Milhões de anos para a natureza esculpir o belo caminho pelas rochas. (Foto: Pedro Alves.)

Milhões de anos para a natureza esculpir o belo caminho pelas rochas. (Foto: Pedro Alves.)

Além do Vale da Lua, Alto Paraíso tem fácil acesso ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (37km). A entrada ao Parque é grátis e tem 2 trilhas mais fáceis de fazer (9,5km de trilha ida e volta, na média), a Trilha dos Saltos e a Trilha dos Cânions. Existe uma trilha mais longa, de 2 dias, com a possibilidade de dormir no parque, mas é necessário acampar e agendar com antecedência – fica mais para os aventureiros – é a Travessia das Sete Quedas.

Um pouco distante, mas com visual que compensa, está a Cachoeira do Vale do Rio Macaco (40km). É necessário ir com 4×4 – e evitar o período chuvoso pra não atolar é um tanto quanto sensato!

O poço pra banho da Cachoeira do Macaco. Vale o esforço pela tranquilidade e pela paisagem! (Foto: Daniela Toloza.)

O poço pra banho da Cachoeira do Macaco. Vale o esforço pela tranquilidade e pela paisagem! (Foto: Daniela Toloza.)

Atrações pertinho de Alto Paraíso

Fora essas atrações mais distantes de Alto Paraíso, a cidade ainda conta com cachoeiras próximas, como a Loquinhas (3km), a São Bento e Almécegas I e II (9km), Anjos e Arcanjos (10km) e diversas outras pertinho da cidade. Ah, ali ao lado da São Bento está o Novo Portal da Chapada, o local do líder espiritual Sri Prem Baba, outro holograma místico da chapada, que mistura temática hindu com várias brasilidades.

Ainda, em Alto Paraíso está o Ponto Culminante do Planalto Central, que nada mais é do que o ponto mais alto da região central do Brasil, a 1.665 metros! Tecnicamente, não dá pra considerá-lo como um monte,. É simples chegar até lá – está a apenas 5km de Alto Paraíso com mais de 2km de trilha a pé!

A Cachoeira das Almécegas I - 50 metros de queda d'água. (Foto: Pedro Alves.)

A Cachoeira das Almécegas I – 50 metros de queda d’água. (Foto: Pedro Alves.)

Onde ficar em Alto Paraíso!

Como nos feriados achar vaga vira uma dura missão, recomendo procurar pousada com estacionamento garantido. Aliás, uma ótima opção é a Tapindaré, que também funciona como restaurante. Pra uma experiência, digamos, diferente, tente o Camelot Inn. Para ir se ambientando ao clima místico, a Pousada Paralelo 14 ou o Chappada Hotel caem bem!

A Avenida Ary Valadão concentra o comércio da cidade, com várias opções de restaurantes e de pousadas / hotéis. Precisando, recomendo procurar um hotel com o seu perfil aqui!

Detalhes do ET no Chappada Hotel - pra ir se ambientando ao clima de Alto Paraíso. (Foto: Fernando Franke.)

Detalhes do ET no Chappada Hotel – pra ir se ambientando ao clima de Alto Paraíso. (Foto: Fernando Franke.)

Restaurantes em Alto Paraíso

Alto Paraíso reúne a maior quantidade de restaurantes, dos caros aos baratos, e com culinária bem variada. Tem típico goiano, tem árabe, tem pizza, tem tapioca, enfim, variedades não faltam! Como boas dicas, fica Cravo e Canela (vegano), o Tapindaré e o Coisas da Drica!

Acredito que isso cobre bem Alto Paraíso. Vamos agora a Cavalcante, na parte norte da Chapada dos Veadeiros.

Cavalcante

Cavalcante é a cidade mais distante de Brasília (310km). Ela tem um centrinho básico, com um fórum e uma igreja e alguns pequenos comércios. Acaba sendo, dos 3 principais destinos, o menos explorado. A estrada de Alto Paraíso até Cavalcante (109km), apesar de asfaltada, está em péssimas condições. Além disso, o acesso às cachoeiras acaba sendo por estradas de terra em piores condições do que as de São Jorge ou Alto Paraíso, mas nada que seja impossível com um carro urbano básico (Um 4×4 é desejável, mas dispensável).

Cavalcante também tem a áurea mística da Chapada, mas menos aparente! O negócio ali é mais rusticidade com uma infraestrutura ok. Ah, Cavalcante tem posto de gasolina, o que torna as coisas bem mais fáceis com o abastecimento do carro!

Ponte de Pedra, um dos ícones de Cavalcante. (Foto: Leonardo Torelly.)

Ponte de Pedra, um dos ícones de Cavalcante. (Foto: Leonardo Torelly.)

O que fazer em Cavalcante

Existem 3 passeios principais em Cavalcante – a Cachoeira Santa Bárbara é o principal deles. Fica em uma reserva dos Kalungas, formada por descendentes de escravos que fugiram e criaram comunidade autossuficiente para viverem livres. A reserva se chama Engenho II e, a partir dali é obrigatório ir com um guia local.

O valor do guia está em R$ 100,00 (para o grupo inteiro) e é necessário pagar mais R$ 20,00 por pessoa. Recomendo ver fotos no Google Images pra ter noção o quanto o lugar é bonito! Assim que voltar, tendo tempo e energia, você pode visitar uma das demais cachoeiras da Engenho II, podendo escolher pela Capivara, pela Candaru ou pela São Bartolomeu.

O poço de águas claras e azuis da Cachoeira Santa Bárbara. (Foto: Marina Lopes.)

O poço de águas claras e azuis da Cachoeira Santa Bárbara. (Foto: Marina Lopes.)

Outro lugar dos mais famosos em Cavalcante é a Fazenda Veredas. Além de funcionar como camping e hotel, a Fazenda tem 7 cachoeiras. Para hóspedes, o acesso às cachoeiras é livre. Para os visitantes, se conseguir fazer a visita completa em um dia, ok. Se quiser voltar no dia seguinte é preciso pagar de novo! Eles contam com restaurante para almoço. O clima é rústico de fazenda e a trilha, apesar de extensa, não é muito difícil!

Umas das sete cachoeiras da Fazenda Veredas. (Foto: Gabriela Mancin.)

Umas das sete cachoeiras da Fazenda Veredas. (Foto: Gabriela Mancin.)

O terceiro ponto alto de Cavalcante é o já citado Poço Encantado. Mais próximo de Cavalcante (35km) do que de Alto Paraíso (52km), deixo três sugestões para a visita:

  1. Dormir no hotel do Poço Encantado;
  2. Utilizar como um stop-by no seu trajeto entre Cavalcante e Alto Paraíso; ou
  3. No último dia de viagem, utilizar como stop-by no retorno de Cavalcante para Brasília/Goiânia/destino final!

Se tiver tempo, indico conhecer a Ponte de Pedra, uma formação rochosa super interessante e, claro, com um bom poço pra banho embaixo dela!

O mirante no caminho para a Ponte de Pedra. (Foto: Leonardo Torelly.)

O mirante no caminho para a Ponte de Pedra. (Foto: Leonardo Torelly.)

Onde ficar em Cavalcante

Pra hospedagem fora do centro de Cavalcante, além da Fazenda Veredas, indico também a Pousada Aldeia Cayana. O acesso a ambas é por estrada de terra (mais ou menos 4,5km de terra. As condições da estrada são boas).

Indico também uma casa pra alugar, no começo da cidade. O proprietário é fotógrafo e guia de Cavalcante – se chama Weverson e pode ser contactado pelo e-mail namuchila@gmail.com. Outras indicações, tem sempre no bom e velho Booking.com.

A Cachoeira da Capivara, um dos atrativos da Fazenda Engenho II, em Cavalcante. (Foto: Marina Lopes.)

A Cachoeira da Capivara, um dos atrativos da Fazenda Engenho II, em Cavalcante. (Foto: Marina Lopes.)

Restaurantes em Cavalcante

A cerveja de Baru da Cervejaria Aracê, um programa pra lá de bacana depois das cachoeiras de Cavalcante.

A cerveja de Baru da Cervejaria Aracê, um programa pra lá de bacana depois das cachoeiras de Cavalcante.

Depois dos passeios, um bom programa é passar na Cervejaria Artesanal Aracê. Os donos são chilenos e misturam no cardápio pratos típicos do Brasil e do Chile. E pra quem gosta de cerveja, prepare-se para provar cervejas com os sabores do cerrado! Um dos destaques vai para a cerveja de Baru (uma castanha típica do cerrado e que é uma delícia!). O ambiente é bacana e ainda tem forró nas noites de final de semana! Confira a programação quando chegar a Cavalcante!

Já no centro de Cavalcante, a praça central concentra as opções. Os lugares mais famosos pra comer são o Encanto da Pizza, a Gastrô (massa e pizzas), a Creperia do Jurandir (sem site) a Creperia Pouso de Folia (ambas pra ir a noite), a Flor do Cerrado e o Restaurante da Rosa (servem almoço mais cedo).

Com isso fechamos Cavalcante! Vamos agora falar sobre São Jorge, o coração da Chapada dos Veadeiros!

São Jorge

Até meados de 2014, a estrada que ligava alto Paraíso a São Jorge não tinha asfalto… sim, eram 36km de terra, o que deixava a viagem mais demorada. O asfalto chegou, mas o clima de vila ainda continua – as ruas são todas de terra! E assim devem continuar sendo!

São Jorge é pequena, são basicamente 3 ruas grandes cortadas por outras 4 ou 5 menores (tá, tem um pouquinho mais, ela já cresceu um tico…). Além de tamanha miudeza, é lá que está a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – e ali pertinho estão diversos outros encantos que deram fama à Chapada!

O primeiro delas, ainda na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge é o Morro da Baleia, um enorme platô que marca o começo da estrada para São Jorge. Logo depois há o mirante do Jardim de Maytreia. Acho bacana ver do carro a paisagem, mas nada além disso!

O Morro da Baleia dá às boas vindas aos visitantes de São Jorge! (Foto: Fernando Franke.)

O Morro da Baleia dá às boas vindas aos visitantes de São Jorge! (Foto: Fernando Franke.)

O Jardim de Maytréia é famoso por supostamente ser um centro de energias - da estrada, um mirante pra apreciá-lo. (Foto: Marina Lopes.)

O Jardim de Maytréia é famoso por supostamente ser um centro de energias – da estrada, um mirante pra apreciá-lo. (Foto: Marina Lopes.)

O que fazer em São Jorge

Quanto às atrações de São Jorge, já falamos do Parque Nacional e do Vale da Lua quando tratamos de Alto Paraíso, certo? Vamos indicar outras atrações próximas à vila.

A mais próxima é a Morada do Sol (3,5km, sentido ), um conjunto com 3 pontos para banhos em uma espécie de cânion no Rio São Miguel (o mesmo do Vale da Lua). A trilha é simples e fácil e ali em frente há quartos como opção de hospedagem fora de São Jorge.

Ainda no Rio São Miguel, um pouco mais a frente está o Santuário Ecológico Raizama (5km) e a entrada para o Rio da Lua. Como o Raizama já está coberto no blog, falarei só sobre o Rio da Lua, que se parece mais com uma estrutura de praia sobre o rio. Funciona mais como um balneário e como um clube do que como uma trilha para cachoeira.

Detalhes do Rio São Miguel entre o vale - a caminho do Salto da Raizama.

Detalhes do Rio São Miguel entre o vale – a caminho do Salto da Raizama.

Outros atrativos próximos à São Jorge são a Cachoeira do Segredo, com trilha longa (recomendado apenas na época de cheia) e o Encontro das Águas. São trilhas mais difíceis e nem todo mundo visita! Observe o seu preparo antes e informe-se melhor, de preferência contratando um guia!

Para atividades em família e com crianças, tente o Santuário Ecológico Vale Dourado, com boia cross e uma trilha fácil de ser percorrida por 4 cachoeiras no Rio dos Couros. No trajeto existem algumas praias de rio também. E há a opção de hospedagem.

Boia Cross no Vale Encantado - A Chapada dos Veadeiros também atende a crianças e famílias. (Foto: Laís Nitta.)

Boia Cross no Vale Encantado – A Chapada dos Veadeiros também atende a crianças e famílias. (Foto: Laís Nitta.)

Águas termais da Chapada dos Veadeiros

E se as águas gélidas da Chapada dos Veadeiros não te deixam lá muito tranquilo (!), a pedida ao final de cada dia pode ser conhecer as águas termais próximas à São Jorge (13km, estrada de terra). A primeira delas é a Éden Águas Termais, que também funciona como hotel e restaurante – Pode ser uma boa hospedagem, se tiver acostumado com estrada de terra!

A segunda é a Morro Vermelho, que não tem hotel, mas tem um bom restaurante pra agendar almoço ao final do descanso. Ambas ficam abertas até 22h, então é a pedida para um pós-cachoeiras!

As piscinas de águas termais do Morro Vermelho - perfeitas para o fim de tarde. (Foto: Lilian Viana.)

As piscinas de águas termais do Morro Vermelho – perfeitas para o fim de tarde. (Foto: Lilian Viana.)

Na Vila de São Jorge

Falando em final do dia, um programa que pode te parecer estranho mas que é bem bacana em São Jorge é subir na torre de celular da cidade pra assistir ao pôr-do-sol! Sim, parece programa estúpido, mas não é! Aliás, é o ponto mais alto da região! Você vai se surpreender!

O pôr-do-sol do alto da torre de celular de São jorge. (Foto: Carol Vasconcelos.)

O pôr-do-sol do alto da torre de celular de São jorge. (Foto: Carol Vasconcelos.)

Restaurantes em São Jorge

Na vila, algumas opções se destacam no quesito gastronomia. A mais antiga e a mais famosa é a Lua São Jorge, a pizzaria mais famosa de toda a Chapada dos Veadeiros! Não espere preços baratos, mas tenha a certeza de que você vai encontrar qualidade e, nas noites mais movimentadas, uma ótima música ao vivo – e gente interessante!

Ali ao lado está a Pousada e Café Bambu Brasil. Além de uma opção de hospedagem bacana (e cara!), o Café está aberto a não hóspedes, sendo um local pra uma pausa no fim de tarde.

A terceira opção top é a Santo Cerrado Risoteria. Como o nome diz, é pra comer risoto, mas tem outras opções no cardápio. Aqui, a dica é tentar um lugar no 2º andar, na varanda, porque o pôr-do-sol dali é espetacular!

Essas são as opções mais gourmetizadas de São Jorge, mas a vila tem pequenos comércios (consulte o link!) com opções muito saborosas e incrivelmente baratas (Parece que a inflação não chegou até ali!). Pra uma experiência bacana e etílica, tente o Bar do Pelé, reduto dos turistas mais habituês de São Jorge. Na rua principal, de self-services a lanchonetes, tem de tudo um pouco!

Próximo ao Morro da Baleia, na rodovia, está o Rancho do Waldomiro oferece uma comidinha simples mas que é uma das mais famosas de toda a Chapada.

Onde ficar em São Jorge

Pra se hospedar, já falamos da Bambu Brasil, da Morada do Sol e do Éden Águas Termais. O público mais cativo da Chapada gosta mesmo é de acampar – e camping não falta ali! Mas há outras opções também. Veja qual o seu perfil e encontre uma hospedagem que é a sua cara.

O céu da Chapada dos Veadeiros

Há um último ponto que preciso falar sobre a hospedagem em São Jorge! Ficar na vila é muito bacana, evita ter que pegar carro toda hora e a noite dá uma liberdade incrível! Mas é que o céu da chapada reúne condições perfeitas pra ver as estrelas. Longe dos grandes centros, alguns lugares ficam no escuro e proporcionam uma noite estrelada e cheia de estrelas cadentes! Programe-se para ir na lua nova!

A lua cheia na Chapada é incrível, mas atrapalha a visão das estrelas. De qualquer forma, no inverno você vai presenciar algum espetáculo. (Foto: Lilian Viana.)

A lua cheia na Chapada é incrível, mas atrapalha a visão das estrelas. De qualquer forma, no inverno você vai presenciar algum espetáculo. (Foto: Lilian Viana.)

Então, a primeira hospedagem é o Camping Pacha Mama, bem próximo ao Rancho do Waldomiro, no começo da estrada de Alto Paraíso. Eles tem noites com equipamentos e equipe para acompanhar o céu e os eventos meteorológicos mais importantes do ano. Se acampar não for o seu forte, ainda assim eles recebem não hóspedes. Entre em contato antes!

A segunda sugestão é o Luar do Pequizeiro (7,3km depois de São Jorge, em estrada de terra). São chalés afastados da civilização, bem silenciosos. Não tem café da manhã mas oferecem cozinha e água quente para o banho. A estrutura é muito simples, vá sabendo disso! E o céu é um espetáculo à parte!

Sugiro esperar a época seca do ano (abril a setembro) pra se hospedar nesses lugares, do contrário a chance de ter um céu encoberto é alta!

Um lado bom de se hospedar fora das cidades é o silêncio e a contemplação à natureza, que valem ouro. No detalhe, um morro visto da janela de um dos chalés do Luar do Pequizeiro.

Um lado bom de se hospedar fora das cidades é o silêncio e a contemplação à natureza, que valem ouro. No detalhe, um morro visto da janela de um dos chalés do Luar do Pequizeiro.

Colinas do Sul, São João da Aliança e Teresina de Goiás

As outras cidades da Chapada dos Veadeiros não contam com uma infraestrutura muito boa de turismo, mas tem alguns atrativos únicos e com grande potencial.

Teresina de Goiás

Teresina de Goiás acaba sendo o menos interessante deles. Tem o Poço Encantado, que é facilmente visitado no seu último dia em Cavalcante, como já falei – e quase não tem infraestrutura pra receber turistas…

Colinas do Sul

Colinas do Sul, apesar do grande esforço pra chegar por causa da estrada de terra, tem o Lago de Serra da Mesa. Apesar de ser artificial, é o quinto maior lago do Brasil, alimentado pelo Rio Tocantins e um ótimo local pra quem gosta de pescar!

Além disso, estão perto das águas termais, da Cachoeira do Segredo e do Encontro das águas, que mencionei no tópico de São Jorge.

Estrada de terra que liga São Jorge a Colinas do Sul. (Foto: Lilian Viana.)

Estrada de terra que liga São Jorge a Colinas do Sul. (Foto: Lilian Viana.)

São João da Aliança

Por fim, São João da Aliança é conhecido como o Portal da Chapada, porque é o primeiro município da Chapada dos Veadeiros a partir de Brasília. O grande destaque é a Bocaína do Farias (ou Cânion do Farias), uma enorme fenda de 40 metros no local onde nascem dois rios. Vale a pena conferir fotos.

Se for, planeje-se com antecedência. A Bocaína do Farias está a 75km de São João, sendo 30km de terra. Vá durante a seca e contrate um guia local. A caminhada é para os mais experientes.

Além disso, São João tem a Cachoeira do Label, pra nadar em um poço com uma queda d’água de incríveis 120 metros!

O paredão da Bocaína do Farias, um segredo da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Raul Nero.)

O paredão da Bocaína do Farias, um segredo da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Raul Nero.)

Melhor época para visitar a Chapada dos Veadeiros

O período chuvoso vai de outubro a março e o seco vai de abril a setembro. É importante saber disso! Primeiro porque as chuvas podem acabar com os passeios às cachoeiras. Se chover forte na cabeceira dos rios, é possível que tenha tromba d’água nos poços das cachoeiras… o Vale da Lua, inclusive, é famoso por acidentes com morte… algo totalmente indesejável! Mas não quero espantá-lo!

Por outro lado, alguns rios e cachoeiras só ficam legais no período chuvoso – a Cachoeira do Segredo é uma delas. Acredito que não fica muito bacana durante o inverno, porque fica seca e menos deslumbrante.

A época do ano influencia na floração do cerrado! (Foto: Gabriela Mancin.)

A época do ano influencia na floração do cerrado! (Foto: Gabriela Mancin.)

O lado bom de ir durante as chuvas é o horário de verão, porque o sol se estende até perto das 20h. Além disso, a mata fica verde, exuberante! Já as estradas de terra podem virar lama… No inverno, 18h já estará de noite, mas há um outro atrativo impossível de precificar – o céu estrelado da Chapada dos Veadeiros! Faz muito sol durante o dia e as noites são frias, então leve um pequeno abrigo e muito protetor solar!

A primavera chega com as chuvas e deixa a Chapada toda verdinha! (Foto: Laís Nitta.)

A primavera chega com as chuvas e deixa a Chapada toda verdinha! (Foto: Laís Nitta.)

Em resumo, não há melhor época, mas é bom saber o que você vai enfrentar a depender do mês em que estiver na Chapada. Logicamente, os meses de transição podem ser os melhores!

No inverno, a vegetação pode ficar coberta de poeira. (Foto: Lilian Viana.)

No inverno, a vegetação pode ficar coberta de poeira. (Foto: Lilian Viana.)

Roteiros na Chapada dos Veadeiros

Vou deixar algumas sugestões de roteiros, todos com saída de Brasília, pois é o aeroporto mais próximo da região.

Fique livre para adaptá-los e usá-los como quiser! São apenas sugestões!

Deixarei uma foto do roteiro e um arquivo em PDF caso queira salvar! Fique à vontade pra aproveitar dentro do seu estilo!

Quatro roteiros prontos que o Blog do Bilhete Premiado deixa pra você curtir a Chapada dos Veadeiros!

Quatro roteiros prontos que o Blog do Bilhete Premiado deixa pra você curtir a Chapada dos Veadeiros!

Pra encerrar!

Espero que este post seja útil no seu planejamento e na escolha de como visitar a Chapada dos Veadeiros. Há mais de 10 anos eu frequento a região e sou um entusiasta da Chapada. É, inclusive, um dos meus lugares preferidos no mundo. Sou um grande fã de São Jorge e gosto bastante de Cavalcante.

O local é incrível, seja pelos atrativos naturais, seja pela energia vivida ali. É um daqueles lugares do Brasil em que você não dá muita coisa – afinal, todo mundo lembra da Chapada dos Guimarães ou da Chapada Diamantina. Mas a Chapada dos Veadeiros, a prima pobre de Goiás, é menos conhecida de quem mora fora do Planalto Central.

É a Chapada que tem tudo pra te surpreender! Pode apostar!

O Mirante da Janela, na Vila de São Jorge. (Foto: Pedro Alves.)

O Mirante da Janela, na Vila de São Jorge. (Foto: Pedro Alves.)

Entre habitués e entusiastas da Chapada, este post contou com a colaboração dos leitores Dani Toloza, Fernando FrankeGabriela MancinLaís Nitta, Leonardo Torelly, Lilian Viana, Marina Lopes, Pedro AlvesRaul Nero e o casal Carol Vasconcelos e Leo Sausmikat.

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E aqui pra reservar o seu hotel em Cavalcante.

E quanto a você, leitor viajante, não deixe de compartilhar suas dicas e histórias de viagens pelo mundo! Escreva para o Bilhete Premiado e deixe a sua marca!

O fogo dos meses secos é essencial para a manutenção do cerrado. (Foto: Lilian Viana.)

O fogo dos meses secos é essencial para a manutenção do cerrado. (Foto: Lilian Viana.)

Pôr-do-sol magnífico na estrada que liga São Jorge e Colinas do Sul. (Foto: Lilian Viana.)

Pôr-do-sol magnífico na estrada que liga São Jorge e Colinas do Sul. (Foto: Lilian Viana.)

O Salto de 120 metros, de uma das trilhas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Pedro Alves.)

O Salto de 120 metros, de uma das trilhas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Pedro Alves.)

Exemplo de vegetação encontrada na Trilha dos Saltos. (Foto: Pedro Alves.)

Exemplo de vegetação encontrada na Trilha dos Saltos. (Foto: Pedro Alves.)

O Salto de 80 metros. No poço é possível nadar e se refrescar um pouco - a água gelada é um banho para a alma. (Foto: Pedro Alves.)

O Salto de 80 metros. No poço é possível nadar e se refrescar um pouco – a água gelada é um banho para a alma. (Foto: Pedro Alves.)

O verde exuberante entre montanhas do cerrado do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Fernando Franke.)

O verde exuberante entre montanhas do cerrado do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Fernando Franke.)

ETs, por todos os lados! (Foto: Fernando Franke.)

ETs, por todos os lados! (Foto: Fernando Franke.)

Detalhes de um rio entre as rochas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Fernando Franke.)

Detalhes de um rio entre as rochas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. (Foto: Fernando Franke.)

O incrível fim de tarde na Chapada dos Veadeiros. (Foto: Carol Vasconcelos.)

O incrível fim de tarde na Chapada dos Veadeiros. (Foto: Carol Vasconcelos.)

A Cachoeira da Capivara, em Cavalcante. (Foto: Daniela Toloza.)

A Cachoeira da Capivara, em Cavalcante. (Foto: Daniela Toloza.)

7 Responses

  1. carolbsb
    carolbsb 21/01/2016 at 3:37 pm |

    Be, o post ficou incrível!!! Pode tirar onda, você escreveu o guia definitivo da Chapada dos Veadeiros, parabéns!!!

  2. Paulo
    Paulo 24/01/2016 at 5:17 pm |

    Muito, muito, muitooo bom o guia!!! Faz séculos que não vou lá, será bem útil, gratidão!!!

    Acrescentaria que a cerveja mais barata e mais gelada é no armazém do seu Claro, e que de uma forma ou de outra subir na torre é proibido e perigoso, perigoso por dois motivos:

    1º O mais óbvio: uma queda. A estrutura de uma torre é extremamente anti ergonômica, até mesmo com equipamento é fácil se machucar, palavra de quem trabalhou 4 anos subindo em torres e já passou poucas e boas, sendo salvo sempre pelo equipamento de segurança.

    2º O nível de radiação próximo das antenas é muito forte, quando falamos de radiofrequência, existem emanações ionizantes e não ionizantes, um tipo comum de radiação ionizante, é a do micro ondas que frita as coisas, um tipo não ionizante de radiação não ionizante bem conhecido seria o tulizado no sinal de celular.

    Teoricamente o sinal dessas antenas da torre é não ionizante, mas o problema é que a linha é muito tênue. Naturalmente as empresas não afirmam que o sinal de celular é ionizante, mas observe como sempre há recomendações para não falar muito ao celular, e sempre usar fone, isso ocorre pois de fato, a radiação do celular é agressiva sim, como disse, as empresas não admitem, mas já presenciei casos de vários colegas (sempre novatos) que insistiam em trabalhar em antenas sem desligar o rádio no contêiner, para agilizar o trabalho, e posteriormente passavam a noite com enxaqueca, enjoo, labirintites leves, impotências temporárias.

    E um fato interessante ocorria, todos, sem exceção amigo, TODOS os homens que trabalhavam com antenas de celular não conseguiam ter filhos do sexo masculino. Já pesquisei sobre, e acontecem muitas “coincidências” desse tipo pelo mundo. A explicação mais plausível é que o gene masculino nos gametas é mais frágil e sensível à agressões, nesse caso, a radiação, o que indica que sim, ela frita nossas moléculas.

    Todas as vezes que fui à Chapada, eu subia na torre, mas sempre tomava o cuidado de não me demorar, subia com minhas luvas de alta aderência para evitar escorregões, apreciava o pôr do sol, algumas fotos, e descia, não excedia 20 minutos, e nunca ficava na linha de visada de uma antena, o que atenua um pouco os efeitos nocivos da radiação.

    Indo lá, tome cuidado irmão, ou se prepare para muitas filhas ahahah

    O efeito da radiação é cumulativo, mas para quem vai muito de vez em quando em um lugar assim, não tem tanto problema, mas…. #fikdica 🙂

    Obrigado pelo guia!

  3. Jean Carlos
    Jean Carlos 13/10/2016 at 2:48 am |

    Muito bom! Realmente definitivo!

  4. Anonymous
    Anonymous 23/10/2016 at 11:18 pm |

    Sensacional! Parabéns!

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