Isla Margarita

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Belas praias e um regime político fechado. Nosso leitor André Camargos foi conferir um pouco do paraíso de Isla Margarita, na Venezuela, e deixa seus registros para o Bilhete Premiado. Apesar de pouco falarem da política, os simpáticos venezuelanos têm o que falta ao Brasil – um pedacinho do Caribe! Quer ter um gostinho da sensação de estar por lá?

E uma vez lá, descobrir que a gasolina é mais barata do que a água pode ensinar ao homem a dar valor ao elemento que nos mantém vivos e com capacidade de viajar por esse pequeno grande mundo.

Boa leitura a todos!

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Fui para Isla Margarita em Novembro deste ano (2013). Era a primeira vez que ia à Venezuela e estava ansioso por conhecer outro país latino-americano (já conheci Chile e Argentina), sentir como é um país com um governo mais controlador e para entrar no mar do Caribe.

Peguei um avião para Caracas e de lá peguei outro para a ilha. Já chegando ao aeroporto de Caracas você dá de cara com um outdoor enorme na fachada de um prédio próximo com a foto de Maduro. Ao embarcar no avião de Caracas para Porlamar (a maior cidade da ilha), temos a noção de como são os meios de transporte no país: velhos.

Tanto em Caracas, quanto em Isla Margarita, pode-se ver inúmeros carros antigos e mal cuidados. E com o avião não era diferente, como se pode ver nas fotos abaixo. Antigo, instável e apertado, foi o avião mais velho que voei. Mas chegamos sãos e salvos ao destino. Somando ao todo quase 12 horas de viagem, contando as 5 horas de espera entre um voo e outro, chegamos exaustos ao hotel.

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Lataria voadora – certamente o avião mais velho que André já voou!

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O avião da Laser, empresa aérea da Venezuela. Lata velha!

Como lá é Hemisfério Norte, em Novembro estávamos na estação do outono. Mesmo assim, estava um clima abafado e chovia muito quando chegamos. Lá não tem frio. No máximo chove, nessa época.

No dia seguinte o clima melhorou um pouco, mas chovia rapidamente de tempos em tempos. Fomos fazer um passeio off road com jeep. Passamos rapidamente pelo centro de La Asunción (capital da província Nova Esparta, onde se situa Isla Margarita), podendo observar as casas simples que há por lá. Paramos no castelo Santa Rosa, que proporciona calabouços históricos, vista da capital e vários morros e vales da ilha.

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A entrada do Castelo Santa Rosa, próximo a La Assunción.

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As casinhas simples nas redondezas do Santa Rosa e a vista estupenda do local. O clima não atrapalhou o bom humor!

Em seguida, fomos para um passeio de barco típico nos mangues do Parque Nacional Laguna de La Restinga, que recomendo muito. É um lugar lindo, cheio de túneis de árvores e onde você pode ver peixes, estrelas-do-mar, caranguejos, pelicanos e até cavalo-marinho se você tiver sorte, como eu tive.

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O pier no começo do passeio da Laguna e os barquinhos típicos do local.

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Ar árvores formam túneis no meio da Laguna.

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O barco que vai cortando caminhos entre as pequenas ilhotas.

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Com um pouco de sorte é possível encontrar até cavalos marinhos no passeio.

De volta aos jeeps, fomos almoçar num restaurante em Morro Blanco, já na área de deserto da ilha. Um lugar simples, com uma comida caseira bem gostosa. A praia era de areia grossa, com várias pedras, conchas e inúmeros pelicanos. Após comer, fomos para a parte mais aventureira do passeio: um off road pelo deserto. Mas foi bem light. Subimos alguns lugares e chegamos a um morro plano que dava pra ver uma lagoa salgada e o mar. Realmente uma bela vista. E andar pelo deserto faz você se sentir num desses filmes americanos rodado em alguma área desértica.

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O Off-Road, a caminho do deserto.

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André e a paisagem desértica ao fundo. Como nos filmes de Hollywood!

Partimos então para a praia Punta Arenas, entrar finalmente no mar do Caribe. Mas foi um pouco decepcionante. O mar estava sujo, devido talvez às chuvas do período. Me disseram que lá o mar não é tão límpido quanto Aruba ou Cancún, mas quando tem sol e não chove, dá para perceber o mar verde com manchas de azul escuro. Realmente muito lindo. E a areia é mais grossa, com várias conchas.

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O Caribe venezuelano, a mistura de águas verdes e azuis.

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O Caribe venezuelano, a mistura de águas verdes e azuis.

Ficamos um pouco na praia e seguimos com o passeio em direção ao Forte La Galera no lado oeste da ilha, de onde dá para ver a ponta norte ao longe, pois a ilha tem um formato de V aberto. Nesse forte muitas pessoas, nativos e turistas, vão para assistir ao por-do sol. Na volta para o hotel, passamos pela estrada do litoral e pudemos ver algumas praias. As mais famosas são Parquito e El Agua.  Por ventar muito, algumas praias da ilha são procuradas por praticantes de wind e kitesurf.

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Visual do Forte La Galera.

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Visual do Forte La Galera.

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Visual do Forte La Galera.

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O Forte La Galera e um canhão para defender a ilha.

O dia seguinte foi de compras. O lugar oferece vários centros comerciais, com algumas marcas famosas, muito procuradas por turistas, principalmente brasileiros, e também por venezuelanos de outros locais, pois a cidade encontra-se numa zona franca de impostos. O câmbio oficial não é atraente. Você encontra na ilha um câmbio paralelo muito melhor, mas é considerado ilegal.

Fui ao shopping Sambil e vi duas grandes filas de consumidores: uma numa loja de eletrônicos e outra numa loja de brinquedos. É que o governo controla o preço dos eletrônicos, inclusive brinquedos, e nesse dia ele autorizou abaixar os valores, formando as filas que me fizeram lembrar as de liquidações de lojas de varejo.

Há também lojas de pérolas da região por preços bem acessíveis, para quem se interessar.  Se você for fazer compras, pegue um táxi autorizado no shopping. Os motoristas são muito simpáticos e o preço é baixo. A gasolina lá é realmente muito barata. Mais barata que água mineral.

Além da Isla Margarita, a província Nueva Esparta é composta de mais duas ilhas menores: Cubagua e Coche. Cubagua não é habitada, tendo somente um porto da Marinha venezuelana. A ilha já foi um ponto de extração de petróleo. Coche é uma ilha menor e dizem que possui praias belíssimas, valendo a pena fazer um passeio por lá.

Gostei muito de Isla Margarita, apesar do clima não ter cooperado tanto. Parece mais uma cidade pequena de litoral do que uma cidade voltada para o turismo, pois não tem muita estrutura. Tentei conversar com alguns guias turísticos sobre a política local, mas eles evitam falar muito e só disseram que a grande maioria da população apoia o partido. Fica no ar um clima de controle do governo.

É preciso tomar alguns cuidados de segurança, como todo local turístico, mas a ilha possui vários locais lindos, não só as praias, o parque nacional, o deserto, os locais de porto dos pescadores com seus inúmeros barcos pequenos e coloridos, etc. Além da população ser muito simpática e receptiva. É um bom lugar para quem procura um local mais tranquilo, para ter maior contato com a natureza em variadas formas (mangue, praia, deserto) e poder olhar de perto um sistema político peculiar sem precisar viajar muito.

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André é formado em comunicação social, mas flerta com as artes cênicas. Como um bom mineiro do interior, vai quietinho desbravando lugares do nosso planeta, mas resolveu acelerar o ritmo da sua vida quando decidiu morar em São Paulo, onde fincou residência e de onde não pretende sair, pelo menos por enquanto.

Reserve aqui o seu hotel na Isla Margarita.

E quanto a você, leitor viajante, não deixe de compartilhar suas dicas e histórias de viagens pelo mundo! Escreva para o Bilhete Premiado e deixe a sua marca!

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