Mal de Altitude – pequeno guia de sobrevivência!

Compartilhe!

Viajantes de todo o mundo, não se desesperem! Se você está planejando viajar para um lugar muito alto ou se está no meio da viagem e não se preparou, leia este post! Dá sempre para correr atrás do tempo perdido e evitar o pior – o mal de altitude tem solução!

Começo dizendo que este post é direcionado especialmente àqueles que vão para lugares com altitude superior a 2.400 metros (7.874 pés). O Mal de Altitude também é conhecido com outros nomes, como Soroche na América Latina e Mal de Montanha (ou Mal Agudo das Montanhas, Acute Mountain Sickness, AMS) nas demais partes do mundo. Independente de qual canto do planeta você estiver, os efeitos são os mesmo, mas podem ser combinados com outros próprios, como frio e secura.

Isso acontece porque, quando mais alto, mais rarefeito é o ar, já que a pressão diminui à medida que se afasta do nível do mar.

A trilha da Salkantay, que chega a 4.600 metros e tem potencial pra causar o mal de altitude, potencializado por exercício físico e por frio - o corpo precisa acostumar antes do batidão!

A trilha da Salkantay, que chega a 4.600 metros e tem potencial pra causar o mal de altitude, potencializado por exercício físico e por frio – o corpo precisa acostumar antes do batidão!

Sintomas do Mal de Altitude

Os principais sintomas do mal de montanha se manifestam entre 1h e 12h na alta altitude. Os mais comuns e que acometem mais pessoas são:

  1. Dor de cabeça (95%);
  2. Náusea, por vezes seguida de vômito (70%);
  3. Tontura (58%);
  4. Desidratação e efeito diurético;
  5. Anorexia e perda de apetite;
  6. Insônia e dificuldades para dormir;
  7. Cansaço e fadiga extrema;
  8. Aceleração dos batimentos cardíacos;
  9. Falta de ar.

A OMS aponta ainda mais dois sintomas que, embora possam ser fatais, são raros de acontecer. Vale ficar sempre atento. São eles:

  1. Edema pulmonar de alta altitude; e
  2. Edema cerebral de alta altitude.

Em caso de sentir-se mal além do que seria esperado, procure um médico urgente e, se possível, vá a um local mais baixo.

Evitando o Mal de Altitude

É forçoso dizer que é possível evitar o mal de altitude, mas é possível contornar boa parte dos seus sintomas. A primeira coisa a fazer é não forçar a barra. Se sair de uma altitude comum e voar direto para uma além do razoável (La Paz, a 4.000 metros, é um bom exemplo!), evitar exercícios físicos e álcool são os primeiros passos.

Deixe o corpo se acostumar aos poucos. Quando eu fui a Cusco, dormi apenas uma noite (só tive 5 dias de férias!) e já parti para uma segunda noite a 3.900 metros. Foi uma péssima noite de sono, porque não deixei o corpo se acostumar e peguei pesado com exercício físico (Fiz a trilha Salkantay). Já na Bolívia, quando enfrentei o mal de altitude pela segunda vez, fiquei mais espero e deixei para me habituar aos poucos, evitando álcool nos primeiros dias e deixando atividades físicas para os últimos.

A Estrada da Morte, na Bolívia, combina exercício físico com altitude - melhor deixar para o último dia de viagem pra evitar o mal de altitude!

A Estrada da Morte, na Bolívia, combina exercício físico com altitude – melhor deixar para o último dia de viagem pra evitar o mal de altitude!

Precauções contra o Mal de Altitude

A Organização Mundial da Saúde recomenda algumas precauções para amenizar o mal de altitude. São elas:

  1. Evitar dormir em uma altitude elevada de uma noite para a outra. Se possível, quebre a jornada e durma pelo menos uma noite em uma altitude entre 2.000 e 2.500 metros;
  2. Caso viaje direto para uma altitude elevada, considere a possibilidade de fazer profilaxia com acetazolamide (comercialmente conhecida como Diamox no Brasil);
  3. Evitar o consumo excessivo de álcool nas primeiras 24 horas de altitude;
  4. Beber mais água que o habitual;
  5. Viajantes que planejam escalar ou fazer trekking de altitude devem passar por um período de aclimatação gradual;
  6. Viajantes com problemas cardiovasculares ou pulmonares já conhecidos devem procurar orientação médica antes de viajar para lugares altos;
  7. Viajantes com os seguintes sintomas devem procurar ajuda médica imediata:
    1. qualquer sintoma da altitude que dure mais do que 2 dias;
    2. perda progressiva da respiração com tosse e cansaço;
    3. perda da coordenação muscular; ou
    4. alteração do status mental.

Medicamentos contra o Mal de Altitude

Na América Latina há um remédio famoso, as Sorojchi Pills, que pega o nome emprestado dos Incas (Soroche = mal de altitude no idioma local). Conheci alguns viajantes que tiveram que tomar pra melhorar, porque estavam muito enjoados e com uma dor de cabeça que não passava nunca. Existem outras medicações com essa finalidade específica. Eu não gosto de tomar remédio e fiquei com o básico do chá e das folhas de coca, mas entendo que a medicação pode ser necessária para algumas pessoas.

Em países fora da América Latina não há a cultura da coca, mas certamente existem diversos medicamentos no mundo inteiro capazes de arrefecer o mal de altitude, como no Nepal ou na Tanzânia.

E você, leitor, tem algo a acrescentar a este post? Já passou pelo mal de altitude? Como foi? Comente aqui embaixo e, caso queira compartilhar suas dicas e histórias de viagens pelo mundo, escreva para o Bilhete Premiado e deixe a sua marca!

Chá de coca, essencial para dissipar o mal de altitude da região dos Andes. O chá não é droga e, se não fizer bem, mal não faz.

Chá de coca, essencial para dissipar o mal de altitude da região dos Andes. O chá não é droga e, se não fizer bem, mal não faz.

2 Responses

  1. Florentina cassol
    Florentina cassol 06/01/2016 at 10:07 am |

    muito boa a explicação conhecia tinha apenas poucas noções

Comments are closed.

Show Buttons
Hide Buttons
%d bloggers like this: