A Potosí da glória da prata e da imponência do Cerro Rico!

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Potosí já foi uma das cidades mais ricas do planeta – e nos idos de 1.575 estima-se tenha sido a segunda maior cidade do mundo (apenas Gênova era maior do que Potosí!). A riqueza e o tamanho são marcas do passado, que o Cerro Rico trouxe a Potosí – mas ela mantém outro título atualmente, e difícil de superar! Potosí é a segunda cidade mais alta do mundo, descansando a 4.090 metros de altitude!

Sempre vice, ela tem um aspecto muito bacana no turismo boliviano – é simples de passear e tem uma simpatia incrível, além de ser muito mais amigável aos turistas do que os outros destinos da Bolívia! Não é porque ela sempre foi segunda em tudo que você vai deixar de visitá-la, certo? Pelo menos pra respirar é mais fácil ali do que na cidade de El Alto, a 4.150 metros de altitude!

A Praça 10 de Novembro, o coração de Potosí.

A Praça 10 de Novembro, o coração de Potosí.

Pra ela não ser vice em tudo, aposto com você que ela é a cidade turística mais alta do mundo! Então, viajantes do mundo todo, força no pulmão pra respirar nas alturas de Potosí!

Pois bem, pra mim ela ganha no título de cidade mais simpática da Bolívia – o centro histórico é pequeno, a cidade é compacta e as coisas funcionam bem! A arquitetura não deixa a desejar – combina traços dos colonizadores espanhóis com um certo ar de cidade européia. E dá pra fazer tudo andando, com exceção do passeio principal, a visita ao Cerro Rico, que você contrata ali no centro e te levam até lá de van! Prepare os pés e os pulmões pra caminhar a mais de 4.000 metros de altitude.

O Cerro Rico ao fundo e a entrada da Mina Pailaviri. (Foto: Gustavo Hamu.)

O Cerro Rico ao fundo e a entrada da Mina Pailaviri. (Foto: Gustavo Hamu.)

O que fazer em Potosí

O atrativo principal é o Cerro Rico, a montanha que, diz a lenda, tem o maior volume de prata do mundo! Localizada a 4.800 metros de altitude, o passeio básico não é pra subir até lá e respirar um ar rarefeito! É justamente entrar na mina de Pailaviri, a mais famosa do Cerro Rico – e viver um dia de mineiro turista, entrando por túneis, rastejando e respirando um ar pra lá de pesado!

A visita é polêmica, é verdade, mas está disponível para viajantes mais corajosos! Faço algumas observações!

  • Leia bastante antes de decidir se vai ou não visitar as minas do Cerro Rico. Informações vão te ajudar a tomar decisão;
  • Se for, prefira guias que sejam ex-mineiros. Eles retratam melhor a situação e contam com experiências próprias que vão enriquecer o passeio. As empresas Big Deal Tours e The Real Deal Tours tem mineiros aposentados como guias;
  • Aos domingos não há expediente no Cerro Rico. Se quiser ir em um dia pra ver o trabalho dos mineiros, vá de segunda à sábado;
  • É importante aclimatar-se à altitude antes de entrar! Para mais informações, leia aqui;
  • Se for claustrofóbico, nem pense em visitar a mina!
O interior da Mina Pailaviri, em uma visita turística pouco convencional. (Foto: Gustavo Hamu.)

O interior da Mina Pailaviri, em uma visita turística pouco convencional. (Foto: Gustavo Hamu.)

Curiosidades sobre a mina de Pailaviri

  • A mina funciona continuamente desde o ano de 1.545;
  • Próximo à entrada há a figura do “Tio”, que seria uma divindade protetora dos mineiros. Eles oferecem cigarros e outros presentes à figura como agradecimento ao que extraem da mina;
  • Um mineiro tem uma expectativa de vida baixa, na casa dos 45 anos, mas ganha algo como USD 30.000,00 por mês. O objetivo é constituir patrimônio para as gerações futuras da família;
  • A temperatura pode variar de 45º C, próximo à entrada, para temperaturas negativas, no interior da mina;
  • Os mineiros abusam do álcool e do cigarro pra tapear a fome no interior da mina;
  • Dizem que com a prata escavada seria possível construir uma ponte ligando Potosí à Espanha;
  • O solo do Cerro Rico já começou a ceder e o pico já diminuiu alguns metros, de tanto buraco no interior da mina!
O Cerro Rico, símbolo máximo de Potosí!

O Cerro Rico, símbolo máximo de Potosí!

El Tío, a figura mítica que protege os mineiros e recebe oferendas como álcool e cigarro. (Foto: Gustavo Hamu.)

El Tío, a figura mítica que protege os mineiros e recebe oferendas como álcool e cigarro. (Foto: Gustavo Hamu.)

No Centro Histórico de Potosí

No Centro Histórico de Potosí, todos os principais passeios podem ser feitos a pé mesmo, sem a necessidade de pegar ônibus ou táxi. O difícil vai ser caminhar a 4.000 metros de altitude! Prepare o chá de coca e fique atento à lista abaixo!

  1. Casa Nacional de la Moneda. De longe um dos passeios mais legais de toda a Bolívia (considerando dentro das cidades, ok?). Aqui você descobre que a moeda boliviana já valeu mais do que a Libra Esterlina (áureos tempos…). Descobre a importância de Potosí e do Cerro Rico, além de entender como eram cunhadas as moedas com diversas técnicas. As visitas são guiadas e duram 2 horas. Confira no site preços e horários. Tours em inglês, espanhol, francês e italiano. Pode apostar que não será um passeio comum… vale a pena! Siga a dica que você não se arrependerá!
  2. Catedral de Potosí e Praça 10 de Novembro. A Plaza 10 de Noviembre é o coração de Potosí. O conjunto da Praça com a Catedral, o Teatro Municipal e os demais edifícios públicos reforça o passado colonial espanhol de Potosí. É um bom espaço pra fazer uma pausa na caminhada por Potosí – o pulmão agradece o descanso pra quem não se aclimatou à altitude!
  3. Provar a cerveja Potosina, da cervejaria mais alta do mundo!
  4. Ao redor de Potosí há programas diferentes, mas que são parecidos com os passeios no Salar de Uyuni. Por isso, não vamos dar muita atenção, mas se tiver tempo e interesse, procure informações a respeito do Ojo del Inca, uma vulcão inativo com lagoa de água termal pra um banho relaxante!
A Catedral de Potosí, com arquitetura colonial espanhola.

A Catedral de Potosí, com arquitetura colonial espanhola.

Onde comer em Potosí

Pra comer, indico o Phisqa Warmis, um típico potosino – é uma ótima pedida para o almoço, que há um menu especial com preço bacana. O ambiente é limpo e a comida é uma delícia! Os pratos são grandes e dá pra dividir.

Além do Phisqa Warmis, tem o La Taberna, o Café Pub,  e o Café de La Plataeleito o melhor café de Potosí!

Café nas alturas - no Café Pub tem!

Café nas alturas – no Café Pub tem!

Cerveja Potosina, diretamente da cervejaria mais alta do mundo!

Cerveja Potosina, diretamente da cervejaria mais alta do mundo!

Como chegar a Potosí

Potosí está no centro-sul da Bolívia, em uma região bastante central do país. As principais cidades ligadas a Potosí são Uyuni e Sucre. Vamos explicar como funciona as principais formas de transporte entre elas.

De avião, há voos de La Paz ou de Cochabamba pela BoA.

De/para Uyuni!

Visitar Potosí faz todo o sentido pra quem planeja conhecer o Salar de Uyuni. As cidades estão bem próximas! Vale a pena combinar tudo em uma mesma viagem pela Bolívia.

O único trajeto entre Potosí e Uyuni é de ônibus. Pra quem chega do deserto de sal, no meio da tarde, há ônibus disponíveis em Uyuni a cada hora, iniciando às 17h até às 22h. Não há banheiros nos ônibus, então fique bem atento a esse detalhe. No sentido Potosí – Uyuni, se não quiser dormir em Uyuni, tente sair bem cedo pra chegar antes do passeio do Salar, que tem início às 10h.

De/para Sucre!

  1. De ônibus, a viagem entre os Andes dura 4 horas e diversas companhias operam o trecho, com vários horários ao longo do dia. A passagem é barata, custa 30 bolivianos por pessoa. É seguro, mas fique esperto porque não há banheiro nesses ônibus, então segure as pontas! Toda a estrada é asfaltada!
  2. Não há avião que liga Potosí a Sucre, mas há uma opção mais rápida que o ônibus! É possível ir de táxi. O problema é que, viajando sozinho, vai precisar de mais 3 passageiros pra fechar viagem. Os hotéis costumam ajudar a encontrar passageiros, mas se não der certo, você corre o risco de ficar esperando achar gente pra seguir viagem. De toda a sorte, o trajeto de táxi dura 2h40. É bem mais rápido, razoavelmente seguro, mas pode ser chato dependendo dos outros passageiros! Reparei que pra pegar e deixar no hotel os taxistas cobram 50 bolivianos por pessoa, mas se for próximo à rodoviária eles cobram 40 bolivianos. Pense nessa alternativa quando for planejar o seu trajeto.
Potosí, do passado colonial rico aos dias atuais nem tão ricos assim...

Potosí, do passado colonial rico aos dias atuais nem tão ricos assim…

Pra encerrar Potosí!

A cidade do Cerro Rico, a mais charmosa da Bolívia e quase a cidade mais alta do mundo – o El Dorado (deveria ser El Platado) da prata e da riqueza sem limites. O passado de glória de Potosí certamente contrasta com a pobreza atual do local (e da miserabilidade da Bolívia, claro!). Certamente já viveu dias melhores, mas isso não é motivo pra deixar de conhecer a cidade e visitar o interior do Cerro Rico!

Você vai acrescentar lugares curiosos ao seu to do list como a cervejaria mais alta do mundo, o café mais alto do mundo, o irish pub mais alto do mundo e por aí vai!

Para hospedagem em Potosí, recomendo o Hostal Tukos La Casa Real. Mas deixarei a lista do Booking.com completa pra você neste link!

Para ler mais sobre a Bolívia, clique aqui.

E quanto a você, leitor viajante, não deixe de compartilhar suas dicas e histórias de viagens pelo mundo! Escreva para o Bilhete Premiado e deixe a sua marca!

A entrada da Mina Pailaviri, a única aberta aos turistas. (Foto: Gustavo Hamu.)

A entrada da Mina Pailaviri, a única aberta aos turistas. (Foto: Gustavo Hamu.)

Potosina, direto da cervejaria mais alta do mundo!

Potosina, direto da cervejaria mais alta do mundo!

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