Rumo a Uyuni 2 – A mão que balança o trem!

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Sabe aquele planejamento de longa data da aventura sabática que você sempre quis fazer?

O Johnson Barros fez o dele e foi parar no Deserto de Uyuni, no sudoeste da Bolívia, um dos lugares mais incríveis da terra! Ele deixa um relato completo, dia após dia, de sua aventura. Este post é o segundo da série! Se liga nessa e vá junto com o Johnson Rumo a Uyuni!

Tudo pronto para o Mochilão na Bolívia! Do trem da morte ao Deserto de Uyuni. (Foto: Johnson Barros.)

Tudo pronto para o Mochilão na Bolívia! Do trem da morte ao Salar de Uyuni. (Foto: Johnson Barros.)


Deixando a zona de conforto

De volta a nossa epopeia rumo ao Novo Mundo… – Tá bom, exagerei. Vamos voltar à realidade.

A alvorada foi regada de ansiedade na pacata cidade de Ladário-MS, não que tenha acontecido algo extraordinário, mas por que começávamos a nos sentir livres das correntes cotidianas e que a nossa existência nos próximos dias dependeria apenas de nós.

Antes de partir do Brasil, durante o café da manhã com chipa e saltenha, conhecemos algo que deve deixar qualquer gaúcho confuso, no mínimo. O refrigerante de chimarrão.

O refrigerante de chimarrão é pra matar qualquer gaúcho de raiva! (Foto: Johnson Barros.)

O refrigerante de chimarrão é pra matar qualquer gaúcho de raiva! (Foto: Johnson Barros.)

E claro, fui visitar meus parentes e dar uma volta na minha cidade natal.

Ainda pela manhã, atravessamos a fronteira de Corumbá (Brasil) para Puerto Quijarro (Bolívia), onde passamos pela imigração, tanto a brasileira quanto a boliviana, uma para dar saída do Brasil e outra para dar a entrada na Bolívia.

Apesar da Bolívia ser um país associado ao Mercosul e poder usar a identidade, sugiro que levem o passaporte caso queiram se aventurar em terras bolivianas, pois em todas as nossas hospedagens e compras de passagem, nos pediram o passaporte. A partir desse momento passamos a explorar novos campos onde muitas coisas eram novidade.

O símbolo da Ferrovía Oriental. (Foto: Johnson Barros.)

O símbolo da Ferrovía Oriental. (Foto: Johnson Barros.)

A Ferroviária de Puerto Quijarro. (Foto: Johnson Barros.)

A Ferroviária de Puerto Quijarro. (Foto: Johnson Barros.)

A aparência caótica daquele trecho de estabelecimentos comerciais competindo com o comércio de rua, a venda de bebidas refrescantes por ambulantes, como limonada, chicha e uma outra feita de canela com um pêssego dentro chamada mocochinchi.

Ainda não éramos bolivianos – e nem conseguiríamos com nossas feições de turistas naquele local – mas já marcávamos a nossa chegada em terras bolivianas degustando um fruto de sua terra, a cerveja Paceña, uma pilsener premiada mundialmente em vários concursos mundiais e fabricada pela Cervecería Boliviana Nacional.

Retratos do cotidiano de Puerto Quijarro - bolivianos vendem de tudo um pouco. (Foto: Johnson Barros.)

Retratos do cotidiano de Puerto Quijarro – bolivianos vendem de tudo um pouco. (Foto: Johnson Barros.)

Johnson e Alexandre brindando a chegada a Puerto Quijarro. (Foto: Johnson Barros.)

Johnson e Alexandre brindando a chegada a Puerto Quijarro. (Foto: Johnson Barros.)

O trem, não é mais da morte!

Chegada a hora, nos despedimos e embarcamos rumo à Santa Cruz de lá Sierra no Expresso Oriental em Puerto Quijarro. Hoje, apelidado de Trem do Progresso, já foi conhecido por Trem da Morte (O apelido nasceu no século passado, quando a composição era usada para transportar leprosos, doentes e corpos das vítimas de uma grave epidemia de febre amarela que se abateu sobre a região de Santa Cruz. Além disso, naquela época, a ferrovia não estava em suas melhores condições e descarrilamentos eram comuns, o que contribuiu para reforçar a má fama do trem!).

Nossa classe era a Super-Pullman, a melhor classe oferecida e que contava com assentos reclináveis, calefação, ar-condicionado, TV full-HD e muito mais. Mas o que começamos a aprender naquele momento é que nem todas as promessas aqui se tornam realidade, como no caso de dois tímidos ventiladores que faziam às vezes do ar-condicionado. As persianas das janelas não fechavam, então ficamos expostos ao sol em alguns trechos.

O mapa da região de Santa Cruz e o trajeto do lendário Trem da Morte. (Foto: Johnson Barros.)

O mapa da região de Santa Cruz e o trajeto do lendário Trem da Morte. (Foto: Johnson Barros.)

Informações e horários dos itinerários dos trens. (Foto: Johnson Barros.)

Informações e horários dos itinerários dos trens. (Foto: Johnson Barros.)

Já esperávamos pelo desconforto, mas nada foi tão estranho quanto o chacoalhar do trem! Parecia que estávamos em um navio singrando em um mar grosso (termo náutico para mar agitado). Tentamos encarar tal balanço como uma forma que o trem nos punha a ninar, mas não foi bem assim. Ao atravessar uma extensa planície com mata nativa se revezando com pastos, lavouras e pequenas cidades e lugarejos, lentamente o trem contava os dormentes que sustentavam os trilhos ondulados que nos impediu de ultrapassar os 53 km/h (segundo o GPS) de forma segura, sendo muitos trechos feitos pouco mais de 20 km/h.

Foi então que entendi por que aquela viagem de 660 km nos cobraria quase 17 horas, nos deixando a média de menos de 40 Km/h. Sem pressa, nossa viagem não estava restrita ao nosso destino, mas ao caminho inteiro. E assim, no vagão restaurante, pudemos saborear um delicioso café suave e que não deixa after taste como o café torrado comumente vendido no Brasil.

O "Trem da Morte" nos esperando em Puerto Quijarro para uma longa viagem. (Foto: Johnson Barros.)

O “Trem da Morte” nos esperando em Puerto Quijarro para uma longa viagem. (Foto: Johnson Barros.)

O café no Trem da Morte. (Foto: Johnson Barros.)

O café no Trem da Morte. (Foto: Johnson Barros.)

Dessa vez, foi o vagão restaurante que nos cobrou a habilidade de equilibrista. Sempre balançando, o pires já nos foi servido com parte do café que não conseguiu ficar dentro da xícara naquela travessia de cinco metros entre a cozinha e a nossa mesa nas mãos do simpático garçom.

Apesar daquele pequeno desconforto – talvez eu esteja exigente demais –, me senti cuidado por aquela tripulação, desde o fiscal que nos orientou no embarque, o que sugeriu que ocupássemos outros assentos vazios para que viajássemos mais confortavelmente, ao cozinheiro, que foi de passageiro a passageiro para avisar que o vagão restaurante estava funcionando e para informar o cardápio.

Como entretenimento, suas TVs começaram com clipes de música como Henrique Iglesias, vários outros que não conheço e filmes com muita explosão, começando por 2012, passando por Tarzan e mais outro que não sei o nome. Mas minha TV preferida era a janela no canal de paisagens.

Alexandre fotografando no interior da ferroviária de Puerto Quijarro. (Foto: Johnson Barros.)

Alexandre fotografando no interior da ferroviária de Puerto Quijarro. (Foto: Johnson Barros.)

Alexandre e Johnson, no itinerário do Trem da Morte - Rumo a Uyuni! (Foto: Johnson Barros.)

Alexandre e Johnson, no itinerário do Trem da Morte – Rumo a Uyuni! (Foto: Johnson Barros.)

Durante o percurso, paramos em várias cidades e vilarejos onde embarcavam e desembarcavam passageiros, ambulantes entravam para vender coisas para comer e beber, de tamarindos à quentinhas, de balas a sucos, e mais situações para guardarmos na memória.

Já naquele início, não pude deixar de me perguntar como era a vida dessas pessoas que trabalhavam no trem, longe de seus lares, levando e trazendo pessoas, carga e muitas histórias de vida que eles sequer sabem que são personagens. O trem teria se tornado seu lar?

Nossa paisagem começou a imergir na escuridão e fomos ao vagão restaurante jantar. O cardápio era lomo de rez (bife de carne bovina) ou pollo (frango) e assim novamente precisamos de nossas habilidades de equilibrista para conseguir jantar e fortalecer o nosso corpo de serenidade para alimentar nossa alma.

Restava-nos agora dormir um pouco e esperar o próximo capítulo nessa nossa viagem para Uyuni.

Alexandre e Johnson, se preparando pra próxima etapa do mochilão por Uyuni. (Foto: Johnson Barros.)

Alexandre e Johnson, se preparando pra próxima etapa do mochilão por Uyuni. (Foto: Johnson Barros.)

Trânsito maluco na cidade de Puerto Quijarro - aventuras em terras bolivianas. (Foto: Johnson Barros.)

Trânsito maluco na cidade de Puerto Quijarro – aventuras em terras bolivianas. (Foto: Johnson Barros.)


Johnson é amante da fotografia e autodidata. Atualmente trabalha como fotógrafo profissional na Força Aérea Brasileira. Durante as férias, aproveitou para experimentar outra percepção de mundo e dar asas à sua paixão pela fotografia, clicando lugares que, de tão impressionante, os olhos não acreditam serem reais!

Para ler o primeiro post desta série, Rumo a Uyuni? O Primeiro Passo, clique aqui.

Caso queira ler mais posts sobre Uyuni, dê uma conferida nas dicas da Natália, clicando neste link.

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Uyuni é também uma ótima oportunidade pra combinar com o Deserto do Atacama, no Chile.

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Que bebida é essa? É só mais uma daquelas que você encontra na Bolívia! (Foto: Johnson Barros.)

Que bebida é essa? É só mais uma daquelas que você encontra na Bolívia! (Foto: Johnson Barros.)

Refrigerante de Mate e chipa - Rumo a Uyuni, mas em uma rodoviária do Brasil. (Foto: Johnson Barros.)

Refrigerante de Mate e chipa – Rumo a Uyuni, mas em uma rodoviária do Brasil. (Foto: Johnson Barros.)

A Ferrovía Oriental, inesquecível na Bolívia! (Foto: Johnson Barros.)

A Ferrovía Oriental, inesquecível na Bolívia! (Foto: Johnson Barros.)

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